terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Espanha - sempre que posso

A Espanha é um dos meus países predilectos. Não sei se um dos motivos será a proximidade geográfica; não sei se será a diferenciação cultural, apesar da vizinhança, excepção feita provavelmente em relação à Galiza.

O facto é que estive em diversas regiões espanholas, por diversas vezes, e existem outras que desconheço por completo. Em relação às que visitei posso enumerar a Comunidade de Madrid, as duas regiões de Castela - Leão e La Mancha, a Catalunha, Aragão, o País Basco, a Comunidade Valenciana, a Galiza, a Extremadura e a Andaluzia, no continente espanhol, bem como as ilhas Canárias e as Baleares.

Não conheço a Cantábria, as Astúrias, Navarra, La Rioja e a região de Múrcia, para além dos enclaves norte-africanos de Ceuta e Melilla.

Este país, que ocupa 4/5 da Península Ibérica, é um autêntico mosaico e são mais as diferenças que distinguem algumas regiões de outras do que os pontos comuns que possam eventualmente servir de denominador comum.

Portugal tem cerca de 1.200 km de fronteira (e é a única) com este país e mesmo Lisboa está a menos de 300 km das principais cidades da Extremadura (Badajoz e Cáceres) e a ligação a esta região espanhola é feita em auto-estrada. O acesso a Espanha está, por isso, muito facilitado.

Gosto de ir a Espanha repentinamente e sem planeamento prévio. Por mais de uma vez, saí de Lisboa à hora de jantar e fui dormir em Espanha: em Madrid, Zafra, Huelva ou Córdoba. Muita coisa me atrai como um íman para esse país, sejam os castelos empinados nas alturas nas áridas imensidões castelhanas e manchegas, a herança mourisca andaluza de que um dos exemplos máximos é o Alhambra em Granada, as grandiosas catedrais que reflectem um catolicismo barroco, os verdes das paisagens galegas ou bascas, a sofisticação de um parador ou a simplicidade de um hostal...

E a diversidade das cidades, desde monumentos em pedra como Santiago de Compostela ou Cáceres, a uma ode à arte nova como Barcelona ou à vida e movida de Madrid ou, noutro plano, a forma como conseguiram preservar a sua história, restaurando um regime monárquico velho de séculos.

Mas o que, para mim, é mais admirável nesse país é o salero, a alegria contagiante, a forma de vida que torna a Espanha um país diferente na Europa. Como é que povos tão diferentes como os galegos, os bascos, os catalães ou os andaluzes mantêm um estilo de vida tão semelhante. Provavelmente, a culpa é dos castelhanos que, para além de terem imposto a língua aos outros povos peninsulares, inculcaram um modo de vida que, ainda hoje, é comum a todos.

Terá sido, talvez, como reacção a este centralismo castelhano que nós, portugueses, nos tornámos, como povo, tão diferentes na forma de estar e de viver, mais influenciados pela nossa herança celta e pela nostalgia da contemplação do mar.

Apesar da animosidade histórica que sempre tendeu a afastar-nos, nunca senti em Espanha qualquer hostilidade e nunca ouvi qualquer comentário menos agradável para com Portugal. As relações entre irmãos são, muitas vezes, assim: tempestuosas à superfície, mas bem lá no fundo sentindo-se inseparáveis.

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