terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Paris - 1975, 1981, 1988, 1989, 1996, 1998, 1999, 2003, 2007, 2008

Várias vezes me fizeram a seguinte pergunta: Gostas mais de Londres ou de Paris? Como se a preferência por uma ou por outra desse indícios sobre a personalidade de uma pessoa, algo de que eu duvido.

Quanto a mim são duas cidades incomparáveis. E incomparáveis, quer por referência uma à outra, quer por se tratarem ambas de cidades incontornáveis a qualquer pessoa que queira conhecer algo "fora de portas".

Paris está, para a generalidade das pessoas e não só portuguesas, quase ao nível dos lugares míticos. Por algum motivo, a França continua a ocupar o primeiro lugar na lista dos países, quanto a número de visitantes por ano e, certamente, a capital francesa não é alheia a essa situação.

A influência cultural francesa que se fez sentir fortemente no nosso país só há alguns anos começou a desaparecer, mas há resquícios que ainda permanecem. Igualmente, a proximidade geográfica terá tido alguma influência; é que, logo a seguir a Espanha e a Marrocos, a França é o nosso vizinho mais próximo. Tivemos, em décadas passadas, autênticos fluxos humanos de emigrantes que se dirigiam a França para tentar uma vida melhor e muitos fixavam-se em Paris, de tal modo que esta chegou a ser a segunda cidade portuguesa em número de habitantes.

"Paris é uma festa" é o título português de uma das obras de Ernest Hemingway e, realmente, a cidade é uma festa para os sentidos, quer pela quantidade de monumentos que possui, quer pela diversidade de acontecimentos culturais que proporciona a quem a visita. O último grande museu que abriu as portas na cidade - o Musée du quai Branly - é dedicado às artes e civilizações dos diversos continentes (excepto a Europa) e constitui a marca que o presidente Jacques Chirac quis deixar na cidade, na tradição dos anteriores ocupantes do palácio do Eliseu.

Paris tem o epíteto de "cidade-luz" e quem não se deslumbraria ao ver a Torre Eiffel enfeitada por milhares de luzes a brilhar ao longo dos seus mais de 300 metros de altura? Ou com a elegância da iluminação natalícia do arvoredo da avenue des Champs-Elysées? Ou ainda com a reverberância dos dourados aplicados em certos detalhes, como a cúpula dos Invalides, as estátuas nas colunas da ponte Alexandre III ou a ponta do obelisco de Luxor plantado no centro da place de la Concorde?

Das vezes que fui a Paris repeti visitas a diversos lugares, mas tive e continuo a ter sempre novas oportunidades de exploração e descoberta. Há, porém, momentos e lugares que ficam mais profundamente marcados na memória, como sejam a visita ao túmulo de Edith Piaf no cemitério do Père-Lachaise, a sofisticação da place des Vosges num dia soalheiro, o Sena visto da tranquila ilha de Saint-Louis... E há uma coisa em que Paris é imbatível, o charme dos seus cafés.

Não posso dizer que gosto mais de Paris do que de Londres, mas posso afirmar que em Paris sinto-me em casa.

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