terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Marrocos (1) - 1978

A primeira viagem que fiz a Marrocos foi a primeira que fiz sozinho e a experiência de viajar desacompanhado não me desagradou. Como na maioria das situações, tem vantagens e desvantagens; uma daquelas é a de que um viajante isolado está mais aberto ao contacto com as pessoas com quem se cruza, quer sejam outros viajantes, quer sejam naturais das terras que se visitam. O hábito ficou e, desde aí, muitas vezes viajei assim...

Essa primeira viagem ao reino alauíta - Marrocos é a última monarquia africana - teve Tânger como destino. A cidade tem uma história atribulada, de que destaco o domínio romano, quando era designada por Tingis, o período em que foi colónia portuguesa (1471-1662) e a época recente (séc. XX) em que foi considerada zona internacional, administrada por vários países, entre os quais Portugal.

A "pérola do estreito" fica situada na península tingitana junto do estreito de Gibraltar, avistando-se facilmente a costa sul espanhola e, dizem, podendo-se vislumbrar a costa algarvia em dias muito claros. É uma cidade mais para viver que para visitar, não podendo deixar de se tomar um chá de menta numa esplanada da Place de France, a observar as idas e vindas dos tangerinos. Foi, talvez, o ambiente da urbe, juntamente com a situação geográfica e o clima ameno, que atraiu tantos famosos que, ao longo dos tempos, nela têm vivido.


A branca Tânger derrama-se por uma colina em cujo sopé se situa a pequena baía onde existe uma agradável praia de areia clara onde se pode experimentar a água do Mediterrâneo. O hotel onde fiquei estava situado no topo dessa colina e a vista que tinha da varanda do quarto abrangia a baía com a longa praia, para lá do casario da cidade, e a extensão do estreito que separa a cidade do continente europeu.
Relativamente perto da cidade situa-se o Cabo Spartel, o qual marca a separação das águas do Atlântico e do Meditarrâneo e, um pouco mais a sudoeste na costa atlântica do país, pode-se visitar a pequena e tranquila povoação de Asilah, a antiga possessão portuguesa de Arzila, onde, caminhando pelas suas estreitas vielas entre casas baixas caiadas de um branco fulgurante dada a forte luz solar, se pode deparar com um encantador de serpentes...


Recordações longínquas de um país africano, islâmico, culturalmente distante, de um oriente vibrante e com alguma dose de exotismo, tão perto de casa...

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