terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Lisboa - desde 1958

Quando ouço alguém dizer "vou à terra" fico sempre um pouco triste por não ter uma "terra" como essa, porque... a minha "terra" é Lisboa. O "ir à terra" é viajar a uma localidade qualquer do nosso país.

Nasci em Lisboa, no bairro de Alvalade e, como tal, sou alfacinha... mas não de gema. Os alfacinhas de gema são aqueles lisboetas cujos pais são, ambos, nascidos também em Lisboa.

É sempre difícil para mim dizer qual o país que prefiro ou qual a cidade mais bonita que já visitei. Embora tenha preferências, gostando mais de umas que doutras, fujo a efectuar uma classificação ou a estabelecer uma preferência. Aliás, penso que as preferências têm um carácter de certa forma transitório, dependendo de diversos factores, dos quais a nossa disposição do momento não é dos menores...

Apesar disso, considero que Lisboa alinha com as mais belas cidades da Europa. Fico sempre encantado quando, de avião, aterro em Lisboa e não me canso de olhar alguns pormenores da vista aérea da capital portuguesa. De dia, o omnipresente Tejo preenche e enfeita o postal formado pelo casario; à noite, é o mar de luz alaranjada que se espraia pelas colinas e o destaque iluminado das referências monumentais.

Embora contando com alguns monumentos de destaque como o castelo de São Jorge, a Sé, a torre de Belém, o padrão dos Descobrimentos, a igreja de Santa Engrácia, o mosteiro dos Jerónimos ou a recente torre Vasco da Gama e a sua vizinha gare do Oriente, apenas para citar alguns dos mais turísticos e mais visíveis no skyline da cidade, Lisboa não é uma cidade monumental.

O seu maior segredo está nas suas ruas, becos, escadas, calçadas, arcos, largos, travessas e... nos seus miradouros. Atrevo-me a dizer que toda a cidade, nos seus bairros ribeirinhos ou nos mais altaneiros, é um miradouro. Em inúmeros pontos desde Pedrouços, a ocidente, aos Olivais, a oriente, conseguem-se vistas inesperadas do rio e da outra margem. Dos bairros mais altos empoleirados nas colinas, do Restelo a Marvila, conseguem-se perspectivas surpreendentes da cidade.

Gosto de todos os miradouros de Lisboa. Conheço-os bem. Creio que o que tem a vista mais abrangente é o do Castelo, o segundo ponto mais alto da cidade (o primeiro é o alto do parque Eduardo VII), mas aquele que eu prefiro é o pequeno miradouro da Senhora do Monte, aninhado entre o Castelo, a Graça e a Penha de França, com a sua pequena capela de São Gens, antigo bispo de Lisboa, em cuja cadeira as grávidas iam sentar-se com o desejo de terem um bom parto, a sua imagem da Senhora de Fátima voltada para a cidade, os seus pinheiros, os seus bancos voltados para ângulos diferentes.

Lisboa, aos domingos de manhã, é uma delícia, parece uma aldeia. Nesses momentos, deambulando pelas suas ruas e pensando melhor, posso dizer que afinal tenho uma "terra".

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