Istambul (Turquia) - 1999
Estive em Istambul no início e no final de uma viagem maior pela Turquia. É uma cidade que assenta em dois continentes - a Europa e a Ásia - e, por isso, ambos a podem reivindicar como sua. O estreito do Bósforo, ao ligar o mar da Mármara ao Mar Negro, atravessa a cidade e separa os dois continentes; a parte europeia da cidade, por sua vez, está dividida pelo Corno de Ouro, um braço do estreito.
Foi fundada pelos gregos com o nome de Bizâncio, reconstruída pelos romanos com o nome de Constantinopla (que, aliás, é ainda hoje o seu nome em grego), rebaptizada de Istanbul em turco. Foi capital da Turquia até 1923 e é a maior cidade do país, com cerca de 10 milhões de habitantes.
Está, como Lisboa, construída sobre sete colinas, em ambas as margens europeia e asiática, e das suas ruas estreitas e empinadas nas colinas conseguem-se vistas do estreito semelhantes às que em Lisboa se obtêm para o rio. Até entre os inúmeros barcos que cruzam as águas do Bósforo se encontram alguns que fazem lembrar os cacilheiros do Tejo. A semelhança é, quanto a mim, surpreendente e assombrosa.
Claro que existem diferenças abissais, como a das silhuetas das grandes mesquitas que, em número considerável, ornamentam o perfil da cidade. Como esquecer esses conjuntos de abóbadas e minaretes profusamente iluminados na noite istambuliota, constantemente sobrevoados por enormes bandos de gaivotas a voar em círculos, como insectos atraídos pela luz?
E as tonalidades dos azuis de que os nossos olhos se apercebem na extraordinariamente bela Mesquita Azul, de tal modo que por duas vezes me senti impelido a visitar o seu interior? Que dizer da imponência da Basílica de Santa Sofia, outrora um dos maiores templos da cristandade, e da magnificência dos seus mosaicos? Como retratar o colorido exuberante dos frescos e mosaicos da igreja de São Salvador em Chora, um dos mais belos exemplares da arte bizantina?
Como não referir as riquezas de um dos mais conhecidos palácios da cidade, o Topkapi, centro administrativo do império otomano durante mais de 4 séculos, localizado na ponta do Serralho, com vistas deslumbrantes sobre o Bósforo? Que dizer dos famosos mercados cobertos da cidade, de que saliento o Grande Bazar, uma autêntica cidade comercial com 4.000 lojas, e o caleidoscópio de aromas do bazar egípcio especializado na venda de especiarias?
Como contextualizar as paisagens obtidas a partir da Torre Gálata, o movimento de barcos e pessoas e automóveis observado na ponte com o mesmo nome, com as amuradas apinhadas com pescadores amadores? Como descrever a sofisticação algo decadente da Istiklal Caddesi, antiga Grande Rue de Pera, na parte mais moderna e europeia da cidade? Como não lembrar a animação nocturna de Kumkapi, com as suas praças e as esplanadas dos numerosos restaurantes de peixe situados à beira água?
Encantos de uma terra que enfeitiça, susurrando aos nossos ouvidos histórias de mil e uma noites que, por entre os véus da nossa imaginação, nos fazem imaginar figuras de sultões, vizires e odaliscas.
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