quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Panamá - "La Tierra dividida, el Mundo unido"


O Panamá é um país da América Central continental, limitado a norte pelo Mar das Caraíbas, a leste pela Colômbia, a sul pelo Oceano Pacífico e a oeste pela Costa Rica.

A sua capital é a Cidade do Panamá (Ciudad de Panamá), com cerca de 800.000 habitantes (área metropolitana, cerca de 1.200.000).

Situa-se no ponto mais estreito da parte continental da América Central, no istmo que se estende até a América do Sul.

O país é dividido ao meio pelo canal do Panamá (http://www.pancanal.com/), que liga o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico. Anualmente, cerca de 14 mil embarcações (5% do comércio marítimo mundial) cruzam os cerca de 80 quilômetros do canal — que passou do controle dos Estados Unidos (EUA) para o Panamá em 31 de Dezembro de 1999.
A população do país é formada por mestiços, índios e europeus.

O sector económico mais importante é o dos serviços, que abrange as actividades financeiras e os recursos obtidos com a zona de livre comércio da cidade de Colón, a exploração do canal e o registo de navios mercantes.
(fonte: adaptado de Wikipédia)
Panamá - Março de 2009
O Panamá é um país diferente dos outros da América Central, com uma população muito mais negra do que os outros países do subcontinente. A sua moeda, a balboa, é inexistente e, em seu lugar, é utilizado o dólar americano.
A sua capital parece uma cidade norte-americana, mais que uma capital de um país latino-americano. A cidade estende-se ao longo de vários quilómetros da costa do Pacífico, junto ao canal, e numa das suas extremidades situa-se o encantador Casco Viejo, um dos núcleos antigos e que é património mundial da Unesco.
Naveguei pelo canal numa viagem de várias horas, desde a localidade de Gamboa, nas margens do lago Gatún, até à saída junto à capital, passando pelas eclusas de Pedro Miguel e de Miraflores, sendo estas as mais visitadas pelos turistas que as demandam por terra.
Mais que a beleza da selva das sua margens ou a grandiosidade das obras de ampliação do canal, navega-se nele pelo simbolismo do lugar, um canal artificial construído pelo Homem, uma obra começada pelos franceses e terminada pelos norte-americanos, que literalmente dividiu um Continente a meio, ligando os dois maiores oceanos do planeta.

terça-feira, 3 de novembro de 2009


"Não há homem completo que não tenha viajado muito, que não tenha mudado vinte vezes de vida e de maneira de pensar"

Alphonse Marie Louis de Lamartine (1790-1869)


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Istambul (Turquia) - 1999

Estive em Istambul no início e no final de uma viagem maior pela Turquia. É uma cidade que assenta em dois continentes - a Europa e a Ásia - e, por isso, ambos a podem reivindicar como sua. O estreito do Bósforo, ao ligar o mar da Mármara ao Mar Negro, atravessa a cidade e separa os dois continentes; a parte europeia da cidade, por sua vez, está dividida pelo Corno de Ouro, um braço do estreito.

Foi fundada pelos gregos com o nome de Bizâncio, reconstruída pelos romanos com o nome de Constantinopla (que, aliás, é ainda hoje o seu nome em grego), rebaptizada de Istanbul em turco. Foi capital da Turquia até 1923 e é a maior cidade do país, com cerca de 10 milhões de habitantes.

Está, como Lisboa, construída sobre sete colinas, em ambas as margens europeia e asiática, e das suas ruas estreitas e empinadas nas colinas conseguem-se vistas do estreito semelhantes às que em Lisboa se obtêm para o rio. Até entre os inúmeros barcos que cruzam as águas do Bósforo se encontram alguns que fazem lembrar os cacilheiros do Tejo. A semelhança é, quanto a mim, surpreendente e assombrosa.

Claro que existem diferenças abissais, como a das silhuetas das grandes mesquitas que, em número considerável, ornamentam o perfil da cidade. Como esquecer esses conjuntos de abóbadas e minaretes profusamente iluminados na noite istambuliota, constantemente sobrevoados por enormes bandos de gaivotas a voar em círculos, como insectos atraídos pela luz?

E as tonalidades dos azuis de que os nossos olhos se apercebem na extraordinariamente bela Mesquita Azul, de tal modo que por duas vezes me senti impelido a visitar o seu interior? Que dizer da imponência da Basílica de Santa Sofia, outrora um dos maiores templos da cristandade, e da magnificência dos seus mosaicos? Como retratar o colorido exuberante dos frescos e mosaicos da igreja de São Salvador em Chora, um dos mais belos exemplares da arte bizantina?

Como não referir as riquezas de um dos mais conhecidos palácios da cidade, o Topkapi, centro administrativo do império otomano durante mais de 4 séculos, localizado na ponta do Serralho, com vistas deslumbrantes sobre o Bósforo? Que dizer dos famosos mercados cobertos da cidade, de que saliento o Grande Bazar, uma autêntica cidade comercial com 4.000 lojas, e o caleidoscópio de aromas do bazar egípcio especializado na venda de especiarias?

Como contextualizar as paisagens obtidas a partir da Torre Gálata, o movimento de barcos e pessoas e automóveis observado na ponte com o mesmo nome, com as amuradas apinhadas com pescadores amadores? Como descrever a sofisticação algo decadente da Istiklal Caddesi, antiga Grande Rue de Pera, na parte mais moderna e europeia da cidade? Como não lembrar a animação nocturna de Kumkapi, com as suas praças e as esplanadas dos numerosos restaurantes de peixe situados à beira água?

Encantos de uma terra que enfeitiça, susurrando aos nossos ouvidos histórias de mil e uma noites que, por entre os véus da nossa imaginação, nos fazem imaginar figuras de sultões, vizires e odaliscas.
Marrocos (1) - 1978

A primeira viagem que fiz a Marrocos foi a primeira que fiz sozinho e a experiência de viajar desacompanhado não me desagradou. Como na maioria das situações, tem vantagens e desvantagens; uma daquelas é a de que um viajante isolado está mais aberto ao contacto com as pessoas com quem se cruza, quer sejam outros viajantes, quer sejam naturais das terras que se visitam. O hábito ficou e, desde aí, muitas vezes viajei assim...

Essa primeira viagem ao reino alauíta - Marrocos é a última monarquia africana - teve Tânger como destino. A cidade tem uma história atribulada, de que destaco o domínio romano, quando era designada por Tingis, o período em que foi colónia portuguesa (1471-1662) e a época recente (séc. XX) em que foi considerada zona internacional, administrada por vários países, entre os quais Portugal.

A "pérola do estreito" fica situada na península tingitana junto do estreito de Gibraltar, avistando-se facilmente a costa sul espanhola e, dizem, podendo-se vislumbrar a costa algarvia em dias muito claros. É uma cidade mais para viver que para visitar, não podendo deixar de se tomar um chá de menta numa esplanada da Place de France, a observar as idas e vindas dos tangerinos. Foi, talvez, o ambiente da urbe, juntamente com a situação geográfica e o clima ameno, que atraiu tantos famosos que, ao longo dos tempos, nela têm vivido.


A branca Tânger derrama-se por uma colina em cujo sopé se situa a pequena baía onde existe uma agradável praia de areia clara onde se pode experimentar a água do Mediterrâneo. O hotel onde fiquei estava situado no topo dessa colina e a vista que tinha da varanda do quarto abrangia a baía com a longa praia, para lá do casario da cidade, e a extensão do estreito que separa a cidade do continente europeu.
Relativamente perto da cidade situa-se o Cabo Spartel, o qual marca a separação das águas do Atlântico e do Meditarrâneo e, um pouco mais a sudoeste na costa atlântica do país, pode-se visitar a pequena e tranquila povoação de Asilah, a antiga possessão portuguesa de Arzila, onde, caminhando pelas suas estreitas vielas entre casas baixas caiadas de um branco fulgurante dada a forte luz solar, se pode deparar com um encantador de serpentes...


Recordações longínquas de um país africano, islâmico, culturalmente distante, de um oriente vibrante e com alguma dose de exotismo, tão perto de casa...
Luxemburgo - 1996 e 2004

Um pequeno estado de formato quase triangular situado no coração da Europa ocidental que começou por ser uma fortaleza estratégica durante a Idade Média e que chegou a ser alcunhada de "Gibraltar do Norte" pelo escritor alemão Goethe. Tem estado sempre no âmago da construção e do desenvolvimento do continente a que pertence.

A população do grão-ducado é constituída por 13% de portugueses e é comum ouvir falar português nas ruas da sua capital, já que esta é a terceira língua mais falada no país. Lembro-me que ao sair da Gare de Luxembourg na visita que fiz à cidade em 1996, tendo chegado em comboio proveniente de Bruxelas, as primeiras pessoas que ouvi a falar na rua, faziam-no em português.

A cidade divide-se em duas zonas: uma alta e uma baixa, sendo que esta se situa num vale que divide aquela. Quando se caminha para o centro vindo da estação central, atravessa-se este vale através da Pont Adolphe e começamo-nos a aperceber da beleza das paisagens que nos circundam.

No promontório da parte alta existe um caminho que o bordeja, La Corniche, donde se têm vistas soberbas sobre a parte baixa, o Grund, e que é conhecido como "a mais bela varanda da Europa". Uma outra atracção da cidade alta é o rochedo do Bock, onde se situam as fortificações com o mesmo nome e donde se abarcam vistas também espectaculares e diversos outros pontos de referência, como a Pont Rouge, uma ponte pintada de encarnado que contrasta vivamente com os predominantes verdes da vegetação.

Recordo dos passeios que dei pela pequena capital luxemburguesa a bela estátua da Gelle Fra, a mulher dourada, erigida em memória dos soldados luxemburgueses mortos durante a 1ª Grande Guerra, iluminada pelo sol de uma radiosa manhã de Junho, bem como a elegante estátua da grã-duquesa Charlotte, a soberana do grão-ducado entre 1919 e 1964, figura muito venerada pelos seus súbditos.

Num país com uma comunidade lusa com um tamanho tão significativo é relativamente fácil encontrar restaurantes portugueses, o que me aconteceu, tendo jantado numa pequena esplanada de um deles, situado muito centralmente numa rua perpendicular à Place d'Armes, conhecida como "o salão da cidade" e que constitui com a Place Guillaume II, o coração do centro urbano.

A aconchegante Cidade do Luxemburgo, pequena capital de um minúsculo país que é o único ducado independente do mundo, onde se fala uma língua estranha, o letzebuergesch (luxemburguês), com uma população tão mesclada, foi uma das duas capitais europeias da cultura em 2007.

Diferentes facetas, alegres recordações, de um país em forma de lágrima...
Mónaco - 1988 e 2007

É o segundo país mais pequeno do mundo, com uma superfície de menos de 2 quilómetros quadrados, estendendo-se por cerca de 3 km da costa do Mar da Ligúria e encontrando-se encravado numa das extremidades da Provença, uma das mais conhecidas regiões francesas.

É, também, um principado, governado pelos Grimaldi, uma família de origem genovesa, desde o século XIV. Embora sendo um estado independente, funciona quase como um protectorado francês, tendo aderido à ONU apenas em 1993. Um tratado efectuado em 1918 com a França estabelece que se a linhagem dos Grimaldi for interrompida, o principado será absorvido pelo seu unico vizinho gaulês, pelo que a família principesca luta com todas as armas ao seu alcance para manter a independência do pequeno território.

Trata-se de uma família que está frequentemente nas páginas da imprensa. Começando no casamento do falecido príncipe Rainier III com a actriz norte-americana Grace Kelly em 1956, passando pelas desventuras da princesa Caroline e pelas aventuras da princesa Stéphanie até aos casos amorosos do actual príncipe Albert II, o principado tem constantemente chamado para si a atenção generalizada.

Não seria necessário possuir uns governantes tão mediáticos para ser o foco das atenções. Com efeito, bastar-lhe-ia o cenário natural em que se encontra implantado sobre os contrafortes dos Alpes Marítimos, o glamour de Monte-Carlo onde se situa um dos mais famosos casinos do mundo e onde se realiza o famoso Grande Prémio de Fórmula 1 ou o encanto da pequena cidade do Mónaco, a capital do principado, empoleirada sobre um promontório e onde se encontra o palácio principesco, com as suas ameias, o seu suave tom de um beige-amarelado e os seus guardas com fardas de cor clara, que evocam um paraíso tropical.

Neste caso será mais um paraíso fiscal, como facilmente qualquer um poderá deduzir pelo aspecto das pessoas, pela qualidade dos automóveis e pela quantidade de embarcações de luxo ancoradas nos embarcadouros do Yacht Club de Monaco. Sendo um estado costeiro, os seus naturais estão necessariamente ligados ao mar, como o testemunha o famoso Instituto Oceanográfico e o respectivo museu, fundado pelo príncipe Albert I em 1906, em consequência dessa ligação que partilhava com o seu amigo e nosso rei, D. Carlos I.

Relembro do Mónaco, principalmente, as ruas estreitas de Monaco-Ville, as placas toponímicas em língua monegasca e a catedral, onde se encontrava a concorrida sepultura da última princesa reinante do território (morta em acidente alguns anos antes) e de onde me "convidaram" a sair por, na altura, estar a usar calções. E não foi a única vez, nem o único país, onde isso me aconteceu. Por isso, agora tenho mais cuidado quando prevejo efectuar certas visitas.

Não me falta vontade de voltar ao Mónaco para rever as imagens dessa estância balnear onde as palmeiras ondulam ao ritmo das cálidas brisas mediterrânicas, mas onde também se pode ver a imagem inusual da neve a cair nos dias frios dos invernos mais rigorosos.
Paris - 1975, 1981, 1988, 1989, 1996, 1998, 1999, 2003, 2007, 2008

Várias vezes me fizeram a seguinte pergunta: Gostas mais de Londres ou de Paris? Como se a preferência por uma ou por outra desse indícios sobre a personalidade de uma pessoa, algo de que eu duvido.

Quanto a mim são duas cidades incomparáveis. E incomparáveis, quer por referência uma à outra, quer por se tratarem ambas de cidades incontornáveis a qualquer pessoa que queira conhecer algo "fora de portas".

Paris está, para a generalidade das pessoas e não só portuguesas, quase ao nível dos lugares míticos. Por algum motivo, a França continua a ocupar o primeiro lugar na lista dos países, quanto a número de visitantes por ano e, certamente, a capital francesa não é alheia a essa situação.

A influência cultural francesa que se fez sentir fortemente no nosso país só há alguns anos começou a desaparecer, mas há resquícios que ainda permanecem. Igualmente, a proximidade geográfica terá tido alguma influência; é que, logo a seguir a Espanha e a Marrocos, a França é o nosso vizinho mais próximo. Tivemos, em décadas passadas, autênticos fluxos humanos de emigrantes que se dirigiam a França para tentar uma vida melhor e muitos fixavam-se em Paris, de tal modo que esta chegou a ser a segunda cidade portuguesa em número de habitantes.

"Paris é uma festa" é o título português de uma das obras de Ernest Hemingway e, realmente, a cidade é uma festa para os sentidos, quer pela quantidade de monumentos que possui, quer pela diversidade de acontecimentos culturais que proporciona a quem a visita. O último grande museu que abriu as portas na cidade - o Musée du quai Branly - é dedicado às artes e civilizações dos diversos continentes (excepto a Europa) e constitui a marca que o presidente Jacques Chirac quis deixar na cidade, na tradição dos anteriores ocupantes do palácio do Eliseu.

Paris tem o epíteto de "cidade-luz" e quem não se deslumbraria ao ver a Torre Eiffel enfeitada por milhares de luzes a brilhar ao longo dos seus mais de 300 metros de altura? Ou com a elegância da iluminação natalícia do arvoredo da avenue des Champs-Elysées? Ou ainda com a reverberância dos dourados aplicados em certos detalhes, como a cúpula dos Invalides, as estátuas nas colunas da ponte Alexandre III ou a ponta do obelisco de Luxor plantado no centro da place de la Concorde?

Das vezes que fui a Paris repeti visitas a diversos lugares, mas tive e continuo a ter sempre novas oportunidades de exploração e descoberta. Há, porém, momentos e lugares que ficam mais profundamente marcados na memória, como sejam a visita ao túmulo de Edith Piaf no cemitério do Père-Lachaise, a sofisticação da place des Vosges num dia soalheiro, o Sena visto da tranquila ilha de Saint-Louis... E há uma coisa em que Paris é imbatível, o charme dos seus cafés.

Não posso dizer que gosto mais de Paris do que de Londres, mas posso afirmar que em Paris sinto-me em casa.